A visão educativa em Edith Stein: fundamentos para uma educação integral

“Como se forma o ser humano?”

Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz)

Existe sempre uma visão antropológica e cosmológica a guiar nossas ações, embora nem sempre sejam explicitadas. Elucidar essa questão é fundamental para quem deseja desenvolver um trabalho sério e consistente que alcance o ser humano em sua essência. No campo da educação, são abundantes as correntes teóricas, as propostas educativas que pretendem fundamentar e orientar os educadores em suas práticas cotidianas. Nas últimas décadas, sobretudo, os educadores brasileiros foram apresentados a uma diversidade de abordagens, muitas vezes sem o devido aprofundamento.

As correntes pedagógicas alternam-se em suas visões de homem e mundo, umas com mais ênfase para aspectos biológicos e de desenvolvimento, outras mais voltadas a aspectos culturais, sociais, outras mais focadas em aspectos comportamentais, outras, ainda, consideram a relação entre aspectos biológicos e culturais. À procura de referências para uma educação autenticamente integral, realizamos uma pesquisa bibliográfica baseada nos escritos pedagógicos de Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz / 1891-1942) que teve como objetivo identificar, descrever e discutir o sentido de formação na obra pedagógica de Edith Stein e contribuir, através da visão de pessoa humana e seu itinerário formativo para o que hoje chamamos de educação integral.

Seus escritos pedagógicos são fruto de uma intensa atividade pedagógica, no espaço de tempo compreendido entre os anos de 1923 a 1933, ano posterior à sua conversão à Igreja Católica e anterior à sua entrada no Carmelo. O conceito de formação é central na obra pedagógica de Edith Stein, que implica a pergunta “como se forma o ser humano?”, que deve ser precedida da resposta sobre “quem é o ser humano?” Apoiando-se na fenomenologia de Husserl, na visão aristotélico-tomista e na doutrina católica, Stein percorre um caminho filosófico, psicológico, antropológico, pedagógico e teológico para aclarar essas questões, chegando a conceber o ser humano como uma unidade indivisível de corpo, psique e espírito, que tem em si um potencial a desenvolver, podendo chegar à sua plena realização ou não. Stein questiona uma educação que não leve em consideração o ser humano completo, mas que se limite a fornecer um acúmulo de informações, visando apenas o desenvolvimento intelectual. Considerava, ainda, incompleta e inadequada, como fundamento da Pedagogia, uma antropologia que não levasse em consideração a relação do ser humano com Deus. O ponto comum entre a quase totalidade das tendências pedagógicas contemporâneas, sob influência da psicologia, é a ausência de transcendência. Uma visão de ser humano em que a imanência prevalece, o que alguns autores chamam de imanentismo antropológico. A relação do homem com Deus como elemento constitutivo da formação humana é relegada, quando muito, ao plano privado e subjetivo, mas sobretudo como algo acessório e periférico. Tomando como referência Stein, podemos afirmar que uma formação humana autêntica forma o homem de modo integral e o conduz à plena realização de si mesmo, em vista do bem comum, pois cada pessoa que se desenvolve de maneira harmoniosa contribui para o crescimento e desenvolvimento do mundo como um todo.

A proposta pedagógica e formativa de Edith Stein bebe diretamente nas raízes do cristianismo, uma proposta que começa aqui, mas que não tem um fim terreno. Tem, pois, como fim último a vida eterna.
Palavras chave: Formação Humana, Antropologia Teológica, Educação Integral

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Autora: Magna Magna Celi Mendes da Rocha