de Edith Stein

Hino ao Espírito Santo, de Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

Nascida judia, crescida ateia, convertida a Cristo, consagrada a Deus como freira e martirizada em Auschwitz pelos nazistas, ela lutou pela luz do Espírito

A filósofa Edith Stein nasceu em uma família judia, mas chegou à juventude declarando-se ateia. Quando finalmente encontrou em Deus a Verdade que tanto buscava, graças à leitura da obra de Santa Teresa de Jesus, sua conversão foi tão intensa que ela entrou na exigente ordem religiosa carmelita e adotou o nome de Teresa Benedita da Cruz. Consagrada a Deus radicalmente, perseverou até o martírio, mantendo a fé, a esperança e o amor inclusive no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, onde foi executada durante a Segunda Guerra Mundial.

Canonizada por São João Paulo II, é dela o seguinte e precioso hino ao Espírito Santo:

I – Quem és tu, Doce Luz
que me preenche e ilumina a obscuridade do meu coração?
Conduzes-me como a mão de uma mãe.
E se me soltasses, não saberia nem dar mais um passo.
És o espaço que envolve todo meu ser e o encerra em si.
Se fosse abandonada por Ti cairia no abismo do nada,
de onde Tu o elevas ao Ser.
Tu, mais próximo de mim que eu mesmo
e mais íntimo que minha intimidade!
E, sem dúvida, permaneces inalcançável e incompreensível,
E que faz brotar todo nome: Espírito Santo — Amor eterno!

II – Não és Tu o doce maná
que do Coração do Filho flui para o meu,
alimento dos anjos e dos bem aventurados?
Aquele que da morte à vida se elevou,
também a mim despertou
a uma nova vida do sono da morte.
E nova vida me doa dia após dia.
E um dia me cumulará de plenitude.
Vida de minha Vida.
Sim, Tu mesmo, Espírito Santo – Vida Eterna!

III – Tu és o raio que cai do Trono do Juiz eterno
e irrompe na noite da alma,
que nunca se conheceu a si mesma?
Misericordioso e impassível
penetras nas profundezas escondidas.
Se ela se assusta ao ver-se a si mesma,
concedes lugar ao santo temor,
princípio de toda sabedoria que vem do alto,
e no alto com firmeza nos unes à tua obra,
que nos faz novos, Espírito Santo — Raio penetrante!

IV – Tu és a plenitude do Espírito
e da força com a qual o Cordeiro
rompe o selo do segredo eterno de Deus?
Impulsionados por Ti
os mensageiros do Juiz cavalgam pelo mundo
e com espada afiada
separam o reino da luz do reino da noite.
Então surgirá um novo céu e uma nova terra,
e tudo retorna ao seu justo lugar graças a teu alento:
Espírito Santo — Força triunfante!

V – Tu és o mestre construtor da catedral eterna
que se eleva da terra aos céus?
Por Ti vivificadas,
as colunas se elevam para o Alto
e permanecem imóveis e firmes.
Marcadas com o Nome eterno de Deus
se elevam para a Luz, sustentando a cúpula,
que cobre, qual coroa, a santa catedral,
Tua obra transformadora do mundo,
Espírito Santo — Mão criadora!

VI – Tu és quem criou o claro espelho,
próximo ao trono do Altíssimo,
como um mar de cristal
aonde a divindade se contempla amando?
Tu Te inclinas sobre a obra mais bela da criação,
e, resplandecente, Te iluminas com Teu mesmo esplendor.
E a pura beleza de todos os seres,
unida à amorosa figura da Virgem,
Tua Esposa sem mancha,
Espírito Santo — Criador do Universo!

VII – Tu és o doce canto do amor e do santo recato,
que eternamente ressoa diante do trono da Trindade,
e desposa consigo os sons puros de todos os seres?
A harmonia que une os membros com a Cabeça,
onde cada um encontra feliz o sentido secreto de seu ser,
e jubilante irradia,
livremente desprendido em Teu fluir,
Espírito Santo — Júbilo eterno!

A primeira redação deste hino é de 1937, com o título de Pfingst-Novene 1937 (Novena de Pentecostes de 1937).
A segunda redação é de 1942, com o título Aus einer Pfingstnovene .
Foi publicada em alemão em 1987 na coleção steiniana Edith Steins Werke.

Fonte:
Novena de Pentecostés. In URKIZA, Julen; SANCHO, Francisco Javier. (Org.) Obras Completas. Vitoria: Ediciones El Carmen; Madrid: Editorial de Espiritualidade; Burgos: Monte Carmelo, 2004. v.5: Escritos espirituales. p. 769-775.