sobre Edith Stein

Edith Stein e a Política

Em fins de 1918, Edith Stein passou a participar ativamente na política, pois estava preocupada com a situação da Alemanha que havia saído da Primeira Grande Guerra perdedora e humilhada. A reflexão existencial e intelectual da autora está refletida em suas obras: Indivíduo e Comunidade e Uma investigação sobre o Estado que revelam a concepção política e antropológica da autora. Stein considera o Estado como uma comunidade, enquanto estrutura social que tem como referência básica a sociedade e a comunidade, pois para se entender o Estado faz-se necessário captar a vivência do povo e dos indivíduos que o configuram, não como número, mas como pessoas.

Dessas obras de Edith Stein é possível refletir sobre a realidade que vivemos no Brasil às vésperas das eleições de 2022. Inicialmente pontuo que para a filósofa, a legislação do Estado está a serviço do bem comum, então o Estado soberano tem autoridade e poder para elaborar, interpretar, fazer cumprir as leis e julgar todos os seus cidadãos para o bem de todos. Isso já nos questiona, pois infelizmente temos acompanhado pelas diversas fontes de notícias que há um mascaramento e, ao mesmo tempo, imposição de silêncio sobre condutas de candidatos e de seus familiares, impedindo que os órgãos competentes cumpram o seu dever de investigar e apresentar os delitos denunciados.

A partir das doutrinas de Platão e Aristóteles, Stein apresenta de modo crítico o surgimento de personalidades que encarnam, em cada época, o poder dominante e encontram um estilo de se manifestar que chega a degenerar aquilo que é próprio do Estado, ou melhor, deturpam a vida do Estado em relação àquilo que lhe é prefigurado pela sua essência.

Edith Stein, após estudar as diversas formas de organização estatal, apresenta aquela que pode garantir de modo mais eficaz a estrutura ôntica do Estado e afirma que está nas mãos das pessoas a existência do Estado a partir do entendimento de que este seja livre e democrático. Acrescenta que a democracia, pelo modo como é elaborada, pode garantir a melhor existência do Estado, no entanto, é a forma mais complexa de se administrar e a mais fácil de se manipular.

Dentre as várias reflexões da filósofa, sobre a Organização do Estado vejo como pertinente ainda ressaltar que o Estado não deve ser o propagador de valores religiosos e nem ir contra os mesmos, porque os valores e as normas estatais são seculares, contudo, é da sua competência respeitar e proporcionar a liberdade de prática religiosa a seus cidadãos, já que a liberdade pessoal não pode ser entendida como uma ameaça ou um limite para a soberania do Estado.

Assim, por meio dessa síntese, creio que aprendemos um pouco mais sobre a visão de Stein sobre a política e entendemos melhor o seu posicionamento que é contrário a qualquer tipo de Estado absolutista e autoritário.